Pastoral | Quais filhos e filhas da claridade…
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Quais filhos e filhas da claridade…

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

(Jo 3,14-21)

Quais filhos e filhas da claridade…

 

Uma das figuras mais enigmáticas em torno de Jesus de Nazaré foi, sem dúvida, Nicodemos. Segundo as Escrituras Cristãs, um fariseu, dentre os principais judeus (Jo 3, 1), realmente um vitorioso do meio do povo (é o que significa o nome: Nicodemos). Um homem justo que, no contrafluxo da maioria, defende um processo justo contra Jesus (Jo 7, 51) e, embora possivelmente membro do Sinédrio, a Suprema Corte Judaica que condenou Jesus à morte, recolhe, juntamente com José de Arimateia, os restos mortais de Jesus, oferecendo para seu sepultamento cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés (Jo 19, 39). Um homem das sinceras buscas. Quase com as mãos, ele toca o sentido da vida, mas como numa sina de indecisão, ele o perde… para reencontrá-lo, segundo uma antiga lenda cristã, do outro lado da cruz e da morte, da qual ele mesmo, Nicodemos, tragicamente participara.

PODCAST

FICHA TÉCNICA

Produção: Pastoral Universitária PUC Minas.

Organização: Prof. Eurides Rodrigues.

Texto: Frei Prudente Nery, OFMCap.

Locução: Pe. Nereu de Castro Teixeira.

Trilha sonora: gentilmente cedida pelos Monges da Abadia da Ressurreição, Ponta Grossa, Paraná.

O episódio de hoje foi Gravado e Editado no Laboratório de Áudio da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, em fevereiro e março de 2018.

O texto que ora meditamos é parte de um diálogo havido entre Jesus de Nazaré e este homem. De um lado, um mestre em Israel, admirado com o que vê em Jesus. De outro lado, o Rabbi da Galileia. Envolvendo-os, a noite e um dos mais intrigantes enigmas da vida humana: Por que, desejosos da luz, insistimos em permanecer nas trevas? Por que, querendo a vida, nos recusamos a ela? Por que, intuindo com clareza os caminhos do bem, trilhamos as vias do mal, ao final das quais está nosso próprio infortúnio? Verdadeiramente, uma questão tão obscura quanto a noite que os cerca. E, no fundo, o próprio drama de Nicodemos, este homem que entrevê em Jesus um homem de Deus, sem conseguir, porém, decidir-se por ele.

As palavras de Jesus, mais que uma resposta direta a tais questões, são uma constatação, tão sombria quanto a própria noite. Parece mesmo ser necessário que muitos, neste mundo, experimentem, primeiramente, tragédias (serpentes abrasadoras), para, só então, erguerem seu olhar para o que poderia salvá-los (serpente de bronze) (Num 21, 1-9), parece dizer Jesus a Nicodemos. São muitos os que, quais notívagos, trancam-se nos obscuros, nas indecisões, nas espreitas e assim passam pela vida: apenas espias, jamais viventes.

 

Mas mesmo em noite avançada, há claridade suficiente para os que desejam ver, diz Jesus ao mestre em Israel. Nossa vida – porque foi assim que Deus mesmo a quis – pode ser inundada de luz. E isto não custa muito. Bastaria apenas isso: crer. Apesar de todas as noites, ainda crer. Apesar de todas as incertezas, ainda crer (Jo 3, 2). Apesar de todas as asseguradas certezas, ainda crer (Jo 3, 1). Apesar de todas as péssimas experiências, ainda crer. Apesar de todas as mentiras e auto-enganos, ainda crer. Apesar de sermos adultos (Jo 3, 4), ainda crer. E, assim crendo, retomar a vida em novo nascer… do alto e das alturas, da força e do espírito, límpidos e revigorados (água) (Jo 3, 3). Pois é para isso que Deus nos chamou à vida: Não para sobrevivermos, quais animais noturnos, arredios, lucífobos e condenados à morte, mas para vivermos em eternidade e plenitude neste mundo, redimidos, libertos, quais seus filhos e filhas.

 

 

Frei Prudente Nery, OFMCap.