Pastoral | Pode-se, sim, calar um profeta…
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Pode-se, sim, calar um profeta…

Pode-se, sim, calar um profeta…

 

No hemisfério norte, no auge do inverno, as montanhas altas ficam cobertas de neve. São toneladas e mais toneladas de massa que, ali, suavemente, em forma de leves flocos, se ajuntou no curso dos dias. Visto de longe, tudo parece em seu devido lugar, harmoniosamente em paz. Mas basta um pouco de sol, ou um vento mais forte, ou mesmo um movimento mais brusco de um pequeno animal montanhês para a estabilidade daquele imenso aglomerado começar a ruir. A superfície da neve trinca-se e desloca-se. Vagarosamente, a coesa harmonia começa a se desfazer. Tem início, então, o assustador espetáculo: a avalanche. De repente, tudo vem abaixo, numa velocidade sempre mais célere, irrefreável, trágica, levando consigo tudo que for encontrado pelo caminho à sua frente.

 

Parecido com isso foram aqueles dias que, hoje, chamamos de Santa Semana. O inverno chegava ao seu fim, na Palestina. Como se aguardasse apenas o momento oportuno, a vida, resguardada sob a neve, explode exuberante. Contagiados pelo reviver da natureza, também os homens celebravam sua alegria: a passagem do inverno à primavera, da escravidão à liberdade, do Egito à Terra da Promessa. Era, em Israel, a festa máxima da Gratidão a Deus, a páscoa judaica. A harmonia, porém, se racha. E começa a avalanche.

 

Na forma como nos tradicionaram as Escrituras Cristãs, a Sagrada Semana é uma densa, intrincada e tumultuosa série de fatos e feitos que compuseram os instantes finais de vida de Jesus de Nazaré. Não obstante a veroz adversidade entre Jesus e os sacerdotes de sua religião, havia muito ainda a se esclarecer. Afinal, até agora, nunca se haviam encontrado, pessoalmente, o Profeta de Nazaré e Sinédrio, instância máxima da Religião Judaica.

 

Desconfianças e suspeitas graves pairavam, sim, sobre Jesus de Nazaré. Mas um processo formal contra ele não tivera ainda lugar. E agora, de forma avassaladora, em pouquíssimos dias, os eventos se atropelam: denúncia, decreto de prisão, captura, processo, julgamento e execução. Como num pesadelo, em rápidas horas, tudo está aparentemente terminado. O Grande Profeta estava, sim, eliminado, mas de seu espírito, como sementes levadas pelas mãos invisíveis do vento, ressurgem novas vidas, outros profetas e uma história nunca antes imaginada e tida como possível. Pode-se, sim, calar um profeta, mas nunca a evidência de suas visões, a verdade de suas palavras, a força de seu espírito.

 

Frei Prudente Nery – OFMCap.

PODCAST

FICHA TÉCNICA

Produção: Pastoral Universitária PUC Minas,

Organização: Prof. Eurides Rodrigues

Texto: Frei Prudente Nery, OFMCap.

Locução: Pe. Nereu de Castro Teixeira.

Trilha sonora: gentilmente cedida pelos Monges da Abadia da Ressurreição, Ponta Grossa, Paraná.

O episódio de hoje foi Gravado e Editado no Laboratório de Áudio da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas em fevereiro e março de 2018.