Pastoral | Páscoa do Senhor: Aos olhos da fé e do amor, vazias estão todas as tumbas…
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Páscoa do Senhor: Aos olhos da fé e do amor, vazias estão todas as tumbas…

Evangelho de João, capítulo 20, versículos 1 a 9

 

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram. Saíram, então, Pedro e outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

PODCAST

FICHA TÉCNICA

Produção: Pastoral Universitária PUC Minas,

Organização: Prof. Eurides Rodrigues

Texto: Frei Prudente Nery, OFMCap.

Locução: Pe. Nereu de Castro Teixeira.

Trilha sonora: gentilmente cedida pelos Monges da Abadia da Ressurreição, Ponta Grossa, Paraná.

O episódio de hoje foi Gravado e Editado no Laboratório de Áudio da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, em fevereiro de 2018.

Aos olhos da fé e do amor, vazias estão todas as tumbas…

 

Os Evangelhos divergem, consideravelmente, entre si, no que se refere aos detalhes daquela madrugada do primeiro dia da semana, quando a tumba de Jesus de Nazaré foi encontrada vazia (Mt 28, 1-10 / Mc 16, 1-8 / Lc 24, 1-12 / Jo 20,1-9). Num único ponto, eles são unânimes: Maria Madalena. Ela é a única constante de todos os relatos. E é apontada por todos eles como a primeira dentre os seguidores de Jesus a testemunhar que algo incomum ocorrera com o corpo do Crucificado, após a sua morte (Lc 24, 22-24).

 

Não obstante todo o variado interesse que a figura dessa mulher sempre despertou no imaginário popular, no passado como no presente, as informações das Escrituras Cristãs sobre ela são, lamentavelmente, bastante pobres. Maryam foi seu nome e Mágdala, uma aldeia de pescadores às margens do Mar da Galileia, o lugar de sua origem. Nalgum lugar daquela paisagem, ela se encontrou com Jesus de Nazaré, que a libertou de sete demônios. Dali em diante ela permanece em sua proximidade (Lc 8, 1-3). Uma vida celerada, dilacerada, alucinada (demônios), totalmente (sete), que, junto de Jesus, retornou à serenidade, à grandeza e à integridade.

 

É quase natural que tivesse sido, exatamente, ela a primeira a ir à tumba de Jesus, depois daquele resto de sexta feira e do interminável sábado, em que, aos judeus, era proibido qualquer contato com os mortos. Pois ninguém mais que ela há de ter sentido a perda daquela morte. O dia mal começa, aos primeiros raios do sol (bem de madrugada), Maria de Mágdala vai ao túmulo de Jesus. Busca o que todos os homens buscam em tais momentos: Alívio para uma infinita saudade. Ela quer estar perto do que tanto amara. Dizer-lhe de sua gratidão? Lavar com aromas o corpo daquele que lavara a sua alma com o melhor de todos os perfumes (Lc 24, 1)? Talvez apenas chorar as lágrimas de seu terrível vazio (Jo 20, 11), perto dos restos daquele que fora tudo para ela.

 

Nada sobrou. Nada que objetivamente lhe servisse de consolo. Nenhum resto. É a mais absoluta desolação. Agora, sim, o vazio é completo. Alertados por Maria de Mágdala, dois dos seguidores de Jesus, Pedro e um outro discípulo, correm à tumba e, também eles, constatam: Tiraram o Senhor do túmulo.

 

Restaram apenas as faixas de linho e o pano que envolveram seu cadáver. Agora são como cascas e cacos de um ovo, deixados para trás pelo pássaro que, ali, foi gestado. Tudo aquilo que apenas recobriu sua verdadeira grandeza, cumpriu sua função, já não é mais necessário. Alado de leveza, agora, ele voou ao encontro de seu destino, o céu, o ilimitado, o infinito. Verdadeiramente: Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram. Nunca o saberemos. Mas está inscrito, pelas mãos de Deus, não em livros, mas no profundo de nosso próprio ser e nos segredos de nossas últimas esperanças (Sagradas Escrituras): o que Ele chamou à vida jamais morrerá.

 

Ao final, onde quer que tenham terminado e se encontrem os restos mortais de Jesus e de todos os seus irmãos e irmãs, eles serão apenas as cascas de um ovo que se rebentou para que, então, livres das estreitezas de todos os limites, pudéssemos alçar voo, quais pássaros, cuja morada definitiva não é o ovo, mas a vastidão dos céus.

 

É o que importa dizer, de mil formas, quase como num acalanto, às apreensões de nosso coração, até o dia em que, oxalá, creiamos: ressuscitaremos dos mortos e, nesta fé, percebamos que estão vazias todas as tumbas e que o que lá encontrarmos. se encontrarmos, serão apenas restos do que é eterno.

 

Frei Prudente Nery, OFMCap.

Aos olhos da fé e do amor, vazias estão todas as tumbas…

 

Os Evangelhos divergem, consideravelmente, entre si, no que se refere aos detalhes daquela madrugada do primeiro dia da semana, quando a tumba de Jesus de Nazaré foi encontrada vazia (Mt 28, 1-10 / Mc 16, 1-8 / Lc 24, 1-12 / Jo 20,1-9). Num único ponto, eles são unânimes: Maria Madalena. Ela é a única constante de todos os relatos. E é apontada por todos eles como a primeira dentre os seguidores de Jesus a testemunhar que algo incomum ocorrera com o corpo do Crucificado, após a sua morte (Lc 24, 22-24).

 

Não obstante todo o variado interesse que a figura dessa mulher sempre despertou no imaginário popular, no passado como no presente, as informações das Escrituras Cristãs sobre ela são, lamentavelmente, bastante pobres. Maryam foi seu nome e Mágdala, uma aldeia de pescadores às margens do Mar da Galileia, o lugar de sua origem. Nalgum lugar daquela paisagem, ela se encontrou com Jesus de Nazaré, que a libertou de sete demônios. Dali em diante ela permanece em sua proximidade (Lc 8, 1-3). Uma vida celerada, dilacerada, alucinada (demônios), totalmente (sete), que, junto de Jesus, retornou à serenidade, à grandeza e à integridade.

 

É quase natural que tivesse sido, exatamente, ela a primeira a ir à tumba de Jesus, depois daquele resto de sexta feira e do interminável sábado, em que, aos judeus, era proibido qualquer contato com os mortos. Pois ninguém mais que ela há de ter sentido a perda daquela morte. O dia mal começa, aos primeiros raios do sol (bem de madrugada), Maria de Mágdala vai ao túmulo de Jesus. Busca o que todos os homens buscam em tais momentos: Alívio para uma infinita saudade. Ela quer estar perto do que tanto amara. Dizer-lhe de sua gratidão? Lavar com aromas o corpo daquele que lavara a sua alma com o melhor de todos os perfumes (Lc 24, 1)? Talvez apenas chorar as lágrimas de seu terrível vazio (Jo 20, 11), perto dos restos daquele que fora tudo para ela.

 

Nada sobrou. Nada que objetivamente lhe servisse de consolo. Nenhum resto. É a mais absoluta desolação. Agora, sim, o vazio é completo. Alertados por Maria de Mágdala, dois dos seguidores de Jesus, Pedro e um outro discípulo, correm à tumba e, também eles, constatam: Tiraram o Senhor do túmulo.

 

Restaram apenas as faixas de linho e o pano que envolveram seu cadáver. Agora são como cascas e cacos de um ovo, deixados para trás pelo pássaro que, ali, foi gestado. Tudo aquilo que apenas recobriu sua verdadeira grandeza, cumpriu sua função, já não é mais necessário. Alado de leveza, agora, ele voou ao encontro de seu destino, o céu, o ilimitado, o infinito. Verdadeiramente: Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram. Nunca o saberemos. Mas está inscrito, pelas mãos de Deus, não em livros, mas no profundo de nosso próprio ser e nos segredos de nossas últimas esperanças (Sagradas Escrituras): o que Ele chamou à vida jamais morrerá.

 

Ao final, onde quer que tenham terminado e se encontrem os restos mortais de Jesus e de todos os seus irmãos e irmãs, eles serão apenas as cascas de um ovo que se rebentou para que, então, livres das estreitezas de todos os limites, pudéssemos alçar voo, quais pássaros, cuja morada definitiva não é o ovo, mas a vastidão dos céus.

 

É o que importa dizer, de mil formas, quase como num acalanto, às apreensões de nosso coração, até o dia em que, oxalá, creiamos: ressuscitaremos dos mortos e, nesta fé, percebamos que estão vazias todas as tumbas e que o que lá encontrarmos. se encontrarmos, serão apenas restos do que é eterno.

 

Frei Prudente Nery, OFMCap.