Pastoral | Observai as sementes…
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Observai as sementes…

Evangelho de João, capítulo 12, versículos 20 a 23

 

Naquele tempo, havia alguns gregos entre os que tinham subido a Jerusalém, para adorar durante a festa. Aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e disseram: Senhor, gostaríamos de ver Jesus. Filipe combinou com André, e os dois foram falar com Jesus. Jesus respondeu-lhes: Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. Agora sinto-me angustiado. E que direi? Pai, livra-me desta hora!? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu nome! Então, veio uma voz do céu: Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo! A multidão que aí estava e ouviu, dizia que tinha sido um trovão. Outros afirmavam: Foi um anjo que falou com ele. Jesus respondeu e disse: Essa voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim. Jesus falava assim para indicar de que morte iria morrer.

PODCAST

FICHA TÉCNICA

Produção: Pastoral Universitária PUC Minas.

Organização: Prof. Eurides Rodrigues.

Texto: Frei Prudente Nery, OFMCap.

Locução: Pe. Nereu de Castro Teixeira.

Trilha sonora: gentilmente cedida pelos Monges da Abadia da Ressurreição, Ponta Grossa, Paraná.

Gravado e Editado no Laboratório de Áudio da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas em fevereiro e março de 2018.

Observai as sementes…

 

É considerável e extraordinariamente muito o que a humanidade deve aos gregos, nas ciências e no pensar. Seu espírito de admiração e investigação, sua curiosidade no saber e suas descobertas asseguraram para a cultura grega um lugar de grande notabilidade na história humana. Também aqui, fazendo jus à sua origem, alguns gregos, passando por Jerusalém, não resistem ao desejo de ver o grande e controverso rabbi Jesus de Nazaré.

 

A fala de Jesus é, porém, quase sombria. Nada daquilo que usualmente costuma interessar a curiosos, gregos ou não. E, no entanto, ele diz algo que todos deveríamos aprender, enquanto caminhamos neste mundo, mais do que quaisquer outros saberes e teorias, por importantes que sejam.

 

As palavras são sóbrias, quase tristes, ditadas por uma alma num instante de angústia. Mais que para seus ouvintes, Jesus parece dizer-se, para si mesmo, em solilóquio, que a morte não é o fim.

 

Em discreta linguagem, é o que nos ensina a própria natureza. As sementes, por exemplo, diz Jesus… Depositadas no escuro da terra, elas parecem sufocadas e mortas. De seu interior, porém, misteriosamente, renasce a vida, contra todas as expectativas, cheia de exuberância. É natural que queiramos viver, é um dever defendermos a vida e protegê-la, a nossa e a de todos. Jamais, porém, até ao desespero e à angústia, como se seu término fosse um absoluto fim. Livrar-nos desse instante? Como? Escondendo-nos? Onde? Implorando, aflitos, a Deus que nos livre de tal hora? Uma vez? Duas vezes? Sete vezes? Para sempre?

 

Um caminho ao largo da morte inexiste. Por isso, não convém apegarmo-nos a este mundo, como desesperados da mortalidade. Mas desde já poderíamos aprender, para além de todas as dúvidas e de todo o saber, que o esplendor (glória) de Deus é maior que todos os obscuros de nossa vida. Como numa cantilena, é o que precisaríamos dizer para nós mesmos, até que nossa alma ouvisse dos céus (anjo) a confirmação dessa esperança e perdesse sua natural angústia diante da morte e, assim, livres de tamanho medo, conquistássemos a serenidade de viver e morrer pelo que vale a pena viver e morrer.

 

O texto deste Evangelho não deixa claro se os peregrinos gregos estiveram, de fato, com Jesus e ouviram essas suas palavras. E, se ouvindo, o que delas pensaram. Ou se, ao contrário, voltaram para casa, para suas incansáveis e penosas buscas, com a razão e o pensar, do que razão alguma pode nos dar como firme certeza: A frágil esperança de que Deus é e de que Ele nos ama, para sempre e para além de toda a morte.

 

Frei Prudente Nery, OFMCap.